10 lendas intrigantes por trás de símbolos comuns

Estamos cercados por símbolos que parecemos compreender instintivamente. No entanto, quase ninguém sabe de onde eles vieram. Aliás, a história da maioria deles é mais complicada do que se poderia pensar. Como:

10. Símbolo do coração

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O símbolo do coração é superconhecido, mas como surgiu? Certamente não foi baseado no nosso coração de verdade, que é muito diferente.
Essa forma já foi encontrada em pictogramas da última idade do gelo, mas provavelmente não ganhou seu significado moderno até a Idade Média. Alguns afirmam que o símbolo foi baseado em uma planta norte-africana do gênero Silphium, que era popularmente usada para controle de natalidade até ser extinta. A cidade-estado do Cirene até mesmo cunhou moedas com a imagem da planta, que se assemelhava muito a forma do coração, o que pode ter ajudado a associar o formato com sexo e amor.
Outros reivindicam uma inspiração mais divina, dizendo que o símbolo do coração moderno é descendente do símbolo medieval do Sagrado Coração, que representava o sacrifício de Jesus Cristo. A Igreja Católica ensina que o símbolo foi revelado em uma visão a Santa Margarida Maria Alocoque no século 17, onde apareceu cercado de espinhos. Historiadores apontam que o símbolo era conhecido e usado muito mais cedo do que nos anos 1600.
Há ainda quem acredite que o símbolo foi baseado em noções mal concebidas do coração humano, quando se pensava que era um órgão com três câmaras, uma parte superior redonda e uma ponta. O símbolo foi se tornando comum na iconografia e pintura medievais, e mais tarde popularizado pelo surgimento do Dia dos Namorados da Inglaterra do século 17.

9. Símbolo do dólar

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O que hoje é quase universalmente reconhecido como o sinal do dólar era na verdade um sinal para o peso. O domínio da exploração de minério na América do Sul e Central permitiu que o “peso de ocho” se tornasse uma moeda verdadeiramente internacional.
Ele suplantou moedas mais antigas, como a boêmia táler, em popularidade, embora esta última tenha influenciado o desenvolvimento de outras palavras germânicas para moedas, tais como o “tolar” esloveno e o “dólar” inglês.
No entanto, o peso espanhol foi o que acabou adotado no comércio na Europa, nas Américas e no Extremo Oriente. Os comerciantes substituíram a palavra “peso” pela abreviatura “PS”, sendo que as letras foram posteriormente escritas sobrepostas. Lá por 1770, a forma abreviada passou a ser grafada “$”, e mais tarde foi abraçada pelo novo Estados Unidos para simbolizar sua moeda.
Essa é uma das histórias aceitas para explicar o símbolo, mas existe uma série de outras teorias propostas sobre a origem do sinal de dólar. Ayn Rand alega que é uma superposição das letras “U” e “S” e também um símbolo para nação, economia livre e mente livre. Outros dizem que o símbolo estava ligado ao monograma utilizado pelas ricas minas de prata de Potosi, “PTSI”. Ainda outros afirmam que foi vinculado ao símbolo português do cifrão, ao xelim britânico ou as palavras em espanhol para “escravo” e “prego”.

8. Símbolo da seta

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A utilização do símbolo da seta para indicar direção foi precedida pelo símbolo grego de “pegada” e o “dedo apontando” medieval. A primeira pode ser vista na antiga cidade grega de Éfeso, onde uma pegada esculpida na calçada indicava a direção para um bordel local.
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O dedo estendido foi utilizado na sinalização medieval e nos primeiros textos impressos, onde eram por vezes referidos como “punhos de impressor” (em tradução literal de “printer’s fists”), como o símbolo abaixo. Este remonta provavelmente ao século 12, tornando-se popular na Itália nos séculos 14 e 15.
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A seta não foi adotada como uma forma de instrução pictórica até o século 18 e, mesmo assim, as primeiras mantiveram pontas e corpos de flecha visíveis. Elas apareceram pela primeira vez em tratados de engenharia e mapas cartográficos que mostravam o fluxo dos rios.
A “simplificação” das flechas ocorreu a partir do século 19, quando a seta estilizada deu lugar a triângulos mais abstratos ou linhas oblíquas reunidas em um ponto. Por volta do século 20, a seta tornou-se um símbolo inteiramente abstrato como o que conhecemos hoje, com a sua incorporação em conjuntos lógicos e matemáticos.

7. Sinais matemáticos

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Os símbolos de adição e subtração surgiram no século 15. O sinal “+” parece ter sido uma das muitas maneiras de abreviar a palavra latina “et”, que significa “e”. Os gregos antigos usavam a letra “psi” para adição (ou às vezes simplesmente justaposição), enquanto os hindus usavam a palavra “yu” e os antigos egípcios usavam um par de pernas andando para a frente para denotar adição ou para longe para denotar subtração.
Europeus do século 15 usavam as letras “p” e “m” para “mais” e “menos” (então chamados de “piu” e “memo”), mas o primeiro uso de “+” para significar “et” foi provavelmente feito pelo astrônomo Nicole d’Oresme no século 14.
O sinal “-” pode ter se originado a partir das anotações dos comerciantes quando a carga era descarregada de navios, ou pode simplesmente ter sido uma forma abreviada da letra “m”, que muitas vezes era escrita com uma linha sobre ela para indicar subtração.
Curiosamente, o sinal de divisão moderno foi originalmente usado para designar subtração por matemáticos do norte da Europa e pode ter se originado a partir de anotação usada em manuscritos para marcar passagens suspeitas de estarem erradas.
Não foi até o final do século 16 que esses símbolos passaram a ser comumente usados em matemática.

6. Asterisco e punhal

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Agora muito mais popular devido à sua utilização na internet, o asterisco antes era raramente visto e associado com um símbolo subordinado conhecido como punhal. Ambos eram tradicionalmente utilizados em notas de rodapé, indicavam datas de nascimento e morte na tipografia europeia, e também indicavam pausas longas e curtas em canto gregoriano.
Alguns afirmam que as origens do asterisco podem ser traçadas 5.000 anos atrás até a antiga Suméria, representando “céu” ou “divindade”. Esta ligação é dúbia na melhor das hipóteses, no entanto.
A história mais confiável liga o asterisco e o punhal à Biblioteca de Alexandria e a um centro de aprendizagem chamado de Mouseion. Na época, um funcionário ateniense chamado Pisístrato decidiu pagar pela compilação de versos escritos por Homero, sendo que muitos haviam sido perdidos. Só que isso estimulou a fraude. Logo, um gramático chamado Zenódoto de Éfeso foi encarregado de revisar o corpo e remover versos falsos. Zenódoto usava um marcador que mais tarde evoluiu para o símbolo do punhal.
O asterisco apareceu mais tarde. O símbolo foi inventado por outro estudioso alexandrino, Aristarco da Samotrácia, que foi acusado de editar o trabalho de Zenódoto. Ele inventou vários novos símbolos, entre eles o que chamou de “asterikos”, ou “pequena estrela”, o qual emparelhou o punhal de Zenódoto e que denotava passagens que tinham sido erroneamente duplicadas ou colocadas no local errado.
Estes símbolos também foram adotados pelos primeiros cristãos, particularmente Orígenes, que usaram variações em anotações enquanto tentavam conciliar o Antigo Testamento original hebraico, ou Pentateuco, com a primeira tradução grega.
Sua forma e significado preciso mudaram e evoluíram ao longo do tempo.

5. Sinais de saída

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Existem dois principais padrões concorrentes para sinais de saída em todo o mundo. Os Estados Unidos usam a palavra “EXIT” em vermelho, por ser uma cor geralmente associada com o perigo. No entanto, grande parte do resto do mundo usa um pictograma de um homem correndo através de uma porta em verde, o que é facilmente compreensível para pessoas de qualquer língua e usa uma cor associada tradicionalmente com segurança.
O sinal dos EUA tem suas origens em 1911, quando um incêndio matou 146 trabalhadores em uma fábrica de roupas em Manhattan. Isto encorajou a National Fire Protection Association (NFPA, ou Associação Nacional de Proteção ao Fogo) a promover o conceito de segurança significando a importância de levar as pessoas para fora de prédios em chamas. Eles desenvolveram os critérios para a sinalização de saída de emergência durante os anos 1930 e 1940, experimentando com diferentes tamanhos e larguras até estabelecer um padrão. De acordo com Robert Solomon da NFPA, uma palavra em inglês foi escolhida em detrimento de um símbolo porque na época os EUA “eram mais paroquiais”.
Ao longo das próximas décadas, no entanto, símbolos gráficos entraram em voga. Uma associação de segurança contra incêndio japonesa fez um concurso para um símbolo de saída de emergência nacional, recebendo 3.300 imagens. Quem ganhou foi o designer Yukio Ota com a figura do homem correndo. Aliás, a figura foi até modificada mais tarde porque parecia que o homem estava indo muito rápido, e o objetivo era incentivar as pessoas a correr mais lentamente em uma situação de emergência.
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A Organização Internacional de Normalização também passou a utilizar o desenho japonês, depois que este bateu uma proposta soviética muito semelhante, que simplesmente não possuía uma porta.
Tal símbolo desde então tem sido amplamente adotado em todo o mundo, embora sua aceitação nos EUA tem sido lenta. Muito disso é devido ao reconhecimento cultural e a inércia, embora também não tenha se revelado uma necessidade premente. Investigações da NFPA nunca relataram uma situação em que alguém não conseguiu achar o sinal de saída. Foi só quando sinalização não existia que as pessoas demonstraram dificuldade em localizar a saída.

4. Símbolo de radiação

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O símbolo da radiação hoje universalmente reconhecido foi inventado em 1946 por uma equipe que trabalhava em um laboratório na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA. A equipe era liderada por Nels Garden, a quem atribui-se a explicação de que o design escolhido se destinava a representar a atividade irradiando a partir de um átomo.
No entanto, as razões reais para o símbolo são desconhecidas. A teoria é de que representa um átomo em círculo como fonte de radiação, e as três lâminas representam as radiações alfa, beta e gama. O símbolo também pode ter sido inspirado por um usado em uma doca perto de Berkeley que advertia contra hélices girando, ou pode ter sido adaptado de um símbolo anterior para radiação que consistia em um ponto vermelho com raios vermelhos irradiando para fora, semelhante ao símbolo de perigo elétrico.
O original era impresso em magenta com um fundo azul. Garden acreditava que magenta era uma cor apropriada porque “era distintiva e não entrava em conflito com qualquer código de cor com o qual já estávamos familiarizados”. Outro fator a seu favor era o custo. Por ser alto, impedia que outras pessoas utilizassem a cor promiscuamente. Quanto ao fundo azul, Garden supostamente preferia a cor porque ela era raramente utilizada em locais com radiação.
Enquanto muitos pensavam que azul era inadequado, uma vez que raramente era utilizado em sinais de alerta, Garden acreditava amarelo era muito comumente usado. Em 1948, experimentos com combinações de cores no Laboratório Nacional de Oak Ridge levou à padronização de magenta em amarelo. No entanto, variações de preto em amarelo são permitidas, e aliás são mais comuns fora dos Estados Unidos.

3. Sinal de pare

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Nos primeiros dias de automóveis nos EUA, havia muito pouca sinalização nas estradas. O primeiro sinal de pare apareceu em Detroit, Michigan, em 1915. Era um quadrado de 60 centímetros preto e branco.
Em 1923, a Mississippi Valley Association of State Highway desenvolveu um conjunto de diretrizes para a sinalização de trânsito com base nos níveis de perigo. A lógica era que, quanto mais lados havia em um sinal, mais potencialmente perigosa a situação era. O círculo, por ter lados infinitos, era usado para cruzamentos de estradas. O formato de octógono foi designado para o segundo nível mais alto de perigo.
Os primeiros sinais de parada octogonais ainda tinham um fundo branco, que mais tarde foi alterado para amarelo. Em 1935, os EUA definiram o sinal de parada como um octógono com fundo amarelo e letras vermelhas ou pretas. Vermelho sempre foi associado com paragem, mas como não se havia descoberto um material reflexivo em vermelho que durasse, foi só no final dos anos 40 e início dos 50 que a cor se tornou mais comum.
Novas revisões de trânsito em 1978, 1988 e 2000 mantiveram a forma icônica de oito lados, que agora é reconhecida mundialmente.

2. Símbolos de masculino e feminino

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A explicação padrão para os símbolos de masculino e feminino é que eles foram derivados da mitologia grega: do Escudo de Marte e do Espelho de Vênus, itens tradicionalmente associados a homens e mulheres, respectivamente. No entanto, há pouca evidência ligando esses objetos particulares aos símbolos atuais.
Na astrologia e alquimia antigas, vários objetos celestes eram associados com diferentes metais. O sol, a lua, Marte, Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno correspondiam, respectivamente, a elementos como ouro, prata, ferro, mercúrio, cobre, estanho e chumbo. Este foi o sistema aprendido pelo botânico do século 18 Carl Linnaeus, que nasceu antes do desenvolvimento do moderno sistema de nomeação química usando uma ou mais letras retiradas dos nomes gregos ou latinos dos elementos, que apareceu em 1814.
Linnaeus decidiu emprestar tal sistema para suas anotações botânicas também. Ele começou a usar os símbolos formalmente em uma dissertação de 1756 sobre plantas híbridas. Em seus trabalhos, Marte, Vênus e Mercúrio representavam masculino, feminino e hermafrodita.
Logo, outros botânicos e zoólogos adotaram o uso desses símbolos, já que eram convenientes e fáceis de lembrar. Várias tentativas de vinculá-los a pictogramas, runas e símbolos astrológicos babilônicos não deram certo. Hoje, eles são amplamente creditados como formas modificadas de sinais gregos. O símbolo feminino é derivado da deusa Fósforo (associada com o planeta Vênus) e o símbolo masculino do planeta Thouros (o nome que davam ao planeta Marte, que não tem a ver com o deus romano).

1. Ponto de interrogação

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Há uma série de explicações para o ponto de interrogação. A mais popular é que ele deriva da palavra latina “quaestio”, ou “inquérito”, que era escrita como “qo” e, eventualmente, tornou-se o sinal que usamos hoje. Outros acreditam que o ponto de interrogação poderia ter derivado de um neuma musical usado na época medieval chamado “interruptus punctus”, que indicava a entonação no final de uma pergunta.
Uma teoria para a origem do símbolo é que ele foi inventado pelo estudioso inglês Alcuíno de York enquanto trabalhava na corte de Carlos Magno desenvolvendo um novo sistema de pontuação. Seu ponto de interrogação se assemelhava a um ponto final com um til sobre ele e se tornou amplamente aceito no século 9.
Uma outra hipótese mais recente foi proposta em 2011, baseada em manuscritos siríacos do século V da Bíblia, que são conhecidos por seu uso liberal de pontuação com significado pouco claro. Chip Coakley, da Universidade de Cambridge, acredita que um símbolo, o “zagwa elaya” ou “ponto duplo vertical”, era colocado acima de determinadas questões que não eram imediatamente óbvias como perguntas. Por exemplo “O que você está fazendo?” é obviamente uma questão, com ou sem um ponto de interrogação, mas “Você está indo embora?” se tornaria uma declaração sem ele.
Embora é provável que os pontos de interrogação utilizados em manuscritos gregos e latins posteriores sejam uma invenção independente, se Coakley estiver correto, o zagwa elaya é o mais antigo ponto de interrogação conhecido da história.

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